CAPÍTULO 16: Ela fugiu de medo
Os lábios dela tremeram levemente: "Ah, tudo bem."
"Obri..." As palavras saíam de sua boca uma a uma, mas ela simplesmente não conseguia completar a frase "Obrigada, irmão".
Ela fechou a porta com um estrondo.
Ficou a sós com aquela pequena peça de roupa que já havia sido mergulhada na água, manuseada, lavada e agora estava pendurada no banheiro para secar.
Das bochechas até a raiz das orelhas e o pescoço, o rosto dela explodiu em um vermelho visível a olho nu.
Pelo espelho da bancada, tudo o que se via era uma "maçã vermelha" parada no lugar, sem saber o que fazer.
Ela lavou o rosto com água fria duas vezes, mas não conseguiu baixar a temperatura.
Escovou os dentes com a mente inquieta.
Pouco depois, bateram à porta do banheiro.
A voz dele veio do lado de fora: "O que você quer comer no almoço?"
Ela mordeu a escova de dentes e fez o pedido com um tom levemente dengoso: "Pãezinhos de sopa de caranguejo."
"Hum." Ele ouviu aquele tom resmungado, mas continuou falando de forma profissional: "A casa precisa de uma governanta. Mais tarde pedirei ao secretário para selecionar os perfis e enviar para você."
"Vou passar em casa para buscar algumas coisas. Me mande uma mensagem se faltar algo mais."
Ela só saiu do banheiro arrastando os pés quando ouviu o som da porta externa se fechando.
Sua cabeça estava um turbilhão; ela nem sequer prestou atenção no que ele disse.
Só sabia que ele parecia ter voltado para buscar algo.
Havia alguns lanches deixados para ela sobre a mesa.
Ela se sentou e começou a rolar sua lista de contatos até encontrar uma amiga: 【Irmã, você está livre?】
A amiga provavelmente estava ocupada.
Respondeu meia hora depois: 【Não estou livre hoje, meu bem. O que houve?】
【Alice: Nada demais, só quero fugir da família.】
【LXY: ?】
A amiga achou que se tratava da família biológica e nem ousou perguntar: 【Vou para Paris em dois dias, tenho uma colaboração na Semana de Moda. Lembro que eles te convidaram também, quer ir junto?】
Ela lembrava que a família dessa amiga geria uma marca de joias de luxo.
Presença confirmada nos desfiles, como marca de luxo, ela certamente teria que ir.
Ela digitou: 【Eles me convidaram, sim.】
【Mas se eles cancelaram minha vaga, eu não vou nem morta.】
【LXY: Se você não tiver nada para fazer, venha comigo. Não importa se convidaram ou não, considere que eu estou te convidando.】
A amiga fez uma pausa de dois minutos e enviou informações de um leilão: 【Aproveite e me dê uma orientação neste leilão, veja se há algo que valha a pena.】
Era o mesmo leilão que ela vira ontem; pensou que não custava nada ir: 【Tudo bem, quando você vai?】
【Só posso ir na sexta-feira.】
Ela não conseguia mais ficar parada: 【Então eu vou para Paris amanhã esperar por você.】
【LXY: Amanhã???】
Ela decidiu. Saiu da conversa e começou a entrar em contato com sua assistente para reservar as passagens.
Calculando quanto tempo levaria para arrumar as malas, sair de casa e chegar ao aeroporto de carro.
A reserva não foi para amanhã, mas para hoje à noite.
Ela nem levou malas grandes, apenas uma bolsa de mão.
No caminho, ouviu a campainha e achou que ele tivesse voltado; escondeu a bolsa rapidamente.
Ao abrir a porta, viu que eram o secretário e o gatinho.
O secretário segurava a caixa de transporte do gato e sorriu para ela: "Senhora."
"Não, não, não me chame assim ainda." Ela pegou o gatinho e deixou o secretário entrar: "O gatinho também vai se mudar para cá?"
"Sim, o senhor pediu para trazê-lo."
O secretário pediu que trouxessem a mansão do gatinho que estava na antiga residência e a arrumassem no novo quarto.
Aproveitou para entregar o almoço dela: "O senhor ainda tem assuntos a resolver e voltará mais tarde."
Ela concordou, já tendo um plano em mente.
Soltou o gato da caixa para que ele se adaptasse ao novo ambiente.
Felizmente, ela já morava naquela casa há algum tempo e o lugar estava impregnado com o cheiro dela.
O gatinho não teve reações de estresse e logo começou a explorar.
O secretário entregou mais alguns currículos de governantas: "Estas são todas altamente instruídas e experientes, com certificados de nutricionista, chef graduada, cuidados materno-infantis e enfermagem. Veja qual prefere e me avise, ou avise ao senhor."
Ela assentiu.
O secretário não se demorou e saiu após organizar as coisas.
Após o almoço, ela ficou vigiando o gatinho.
Ele não ia muito para a sua própria mansão; em vez disso, ficava no quarto deles sem querer sair.
Provavelmente porque era onde havia mais cheiros familiares.
Ela não o expulsou; colocou as tigelas de ração e água no quarto, certificou-se de que ele se adaptaria e fez um carinho em sua cabeça: "Já se adaptou, bebê?"
O gatinho fechou os olhos satisfeito, ronronando.
Ela instalou o robô câmera ao lado, apontando para o gato.
Enquanto instalava, resmungava: "Você se adaptou, mas eu não."
"Fique aqui sozinho um pouco, seu papai voltará logo."
Preparou tudo e, aproveitando que o gato estava distraído e que ele ainda não voltara, saiu de casa como quem foge de algo.
Ao entardecer, ele foi retido pelo segundo irmão no edifício comercial do grupo.
Quase simultaneamente, os celulares dos dois vibraram levemente.
A mesma mensagem apareceu em ambos os aparelhos.
O segundo irmão olhou para a tela, levantou-se e saiu.
E a ligação do secretário entrou no celular dele.
Ao atender, ele ouviu a voz ansiosa do outro lado: "Senhor, fui entregar o jantar e descobri que a senhora desapareceu."
"Não consigo completar a ligação, será que ela teve algum problema? O senhor sabe de algo?"
Houve um longo silêncio no escritório.
"Alô, senhor?"
Ele olhou para o ponto vermelho na tela, que indicava que ela já havia embarcado, e disse com uma voz calma e profunda: "Eu sei."
Ela fugiu de medo.
Os negócios atuais da família, além de energia e imóveis, incluíam outro setor.
Aviação.
O voo que ela pegou era, por coincidência, de uma das empresas da própria família.
A empresa monitorava passageiros VIP de alto nível, oferecendo cuidados integrais durante a viagem.
Ele encostou o corpo na cadeira.
Sua mão de dedos longos deslizou lentamente pela caneta, e cada movimento fazia ressaltar as veias no dorso da mão.
Era difícil imaginar como aquela mão havia mergulhado na água aquela peça íntima de aparência frágil, deixando-a encharcar, aplicando o sabão, apertando, esfregando e enxaguando.
Ele pensara que fingir que não vira ajudaria a manter a barreira de "irmãos" que ela estava habituada a usar.
Mas por que ele deveria fazer isso?
Dentro da cabine, ela passou pelo corredor VIP. Assim que se sentou no segundo andar, a comissária de bordo aproximou-se com o manual de serviço exclusivo para convidados de honra: "Olá, Sra. Alice."
Ela estacou por um momento, percebendo algo de repente. Olhou para o logotipo da companhia aérea e depois para sua assistente por perto.
A assistente congelou no meio do movimento de entrar na divisória: "O que houve?"
"Esta companhia aérea é nossa?"
A assistente não entendeu a pergunta; achando que ela estava satisfeita, disse sorrindo: "Sim, eu enviei as opções de voos e você escolheu a nossa empresa de primeira."
"Mas este voo é realmente o mais rápido e o mais confortável."
Ela piscou os olhos; a comissária ainda estava organizando as coisas ao lado: "Sra. Alice, aqui estão seus itens de higiene e o cardápio."
"Deseja que eu prepare sua cama agora?"
Ela conseguiu recobrar os sentidos: "Espere um pouco."
A comissária disse mais algumas coisas, mas ela não ouviu nada.
Já era; o irmão certamente já sabia.
Afinal, assim que ela embarcasse, a sede receberia a notificação.
A assistente percebeu algo errado e perguntou baixo: "O que aconteceu?"
"Nada." Ela não podia contar o motivo real, então apenas se consolou pensando que, de qualquer forma, ele descobriria quando chegasse em casa à noite.
Agora ele apenas descobriu um pouco mais cedo.
Ela se encostou no assento, inquieta, mas sentiu-se melhor após o jantar.
De qualquer forma, ela já tinha fugido, o que havia a temer?
Saíra para se divertir.
Ao descer do avião, ela levou a assistente para descansar e ajustar o fuso horário por dois dias.
Quando já estava descansada, sua amiga também chegou a Paris.
Os organizadores começaram a notificar os horários para a primeira rodada de coquetéis.
Ela ficou surpresa ao receber uma ligação dos organizadores do desfile, perguntando se ela gostaria de participar do coquetel em duas noites.
Ela só se importava com um detalhe: "Convidaram a mídia?"
"Fique tranquila, senhora. Este coquetel não convidou a mídia externa." O atendente foi muito educado, apresentando o cronograma dos próximos dias.
Isso ocorria porque ainda era cedo e muitas marcas ainda não haviam chegado.
O local do evento ainda estava sendo decorado.
Mas, com a chegada de um grupo de expositores, as atividades já estavam começando.
Ela enrolava uma mecha de seu cabelo cacheado nos dedos, conversando distraidamente com o organizador, entendendo a situação e as marcas presentes. Havia algumas marcas que lhe interessavam, além de alguns atores jovens do momento.
Ela não conhecia muito os atores, mas sua amiga sim.
A amiga enviou fotos desses rapazes: 【Eles devem nos acompanhar nos drinques.】
【Eles têm metas de publicidade, agora depende de nós darmos atenção a eles ou não.】
As unhas recém-feitas dela batiam na tela: 【Você conhece bem o caminho, hein, irmã.】
【LXY: É você quem conhece poucos caminhos. Você vai?】
【Alice: Vou! Claro que vou!】
Ela largou o celular, informou o cronograma para a assistente e começou a escolher o vestido.
Na noite do coquetel, o trânsito do lado de fora do salão estava intenso, com carros de luxo entrando um após o outro no estacionamento subterrâneo.
Os convidados eram levados por funcionários até o salão principal.
A amiga chegou cedo e enviou sua localização para ela.
Cerca de 60% dos convidados já haviam chegado e o ambiente estava animado, com as pessoas socializando.
Pouco depois de a amiga se sentar, algumas pessoas se aproximaram e a cumprimentaram cautelosamente: "Irmã."
A amiga levantou a cabeça e viu duas moças jovens.
"Irmã, você lembra de nós? Nos vimos na noite de caridade e trocamos contatos."
As duas tentavam se aproximar: "Sim, que bom encontrar você aqui, é maravilhoso."
A amiga manteve uma atitude educada e formal: "Olá."
"É a nossa primeira vez em um evento assim, não estamos familiarizadas. É bom ter uma irmã conhecida por perto."
Dizendo isso, elas se sentaram ao lado dela: "Irmã, tem alguma marca com a qual queira colaborar desta vez?"
A amiga não revelaria seus planos; usou o nome mais famoso do evento como escudo: "Onyxaura, tenho intenções de parceria."
"Alguém da Onyxaura veio?" Elas olharam em volta excitadas.
Afinal, era uma marca de joias de luxo que estava no topo há meio século na Europa.
"O segundo filho da Onyxaura está aqui." A amiga apontou a direção, onde se via um jovem nobre de terno branco, olhos azuis e cabelos dourados, exalando nobreza: "Se quiserem, podem ir cumprimentá-lo."
"Melhor não," as duas moças mostraram hesitação, "dá para ver que eles não nos dariam atenção."
"Irmã, você não sabe, nem todo mundo é gentil como você. Acabamos de cumprimentar alguns ali e eles nem ligaram..."
Antes que terminassem a frase, ouviram um burburinho vindo da entrada.
Quase todos olharam simultaneamente para a origem do som.
Ela apareceu na entrada do coquetel usando um vestido sereia azul sem alças.
As linhas do vestido eram fluidas, moldando e realçando suas curvas de forma perfeita, como uma obra de arte cuidadosamente esculpida.
Ela entregou os óculos escuros ao funcionário e pegou uma taça de champanhe.
Uma das moças sussurrou: "Aquela é a Alice?"
"Como ela ainda consegue vir?"
Elas se inclinaram para a amiga: "Irmã, você soube o que aconteceu com a família dela?"
A amiga olhou para elas e, antes que pudesse responder, elas continuaram: "Acho que os organizadores enviaram o convite e não deu tempo de cancelar, caso contrário, com o status atual dela..."
Elas não terminaram a frase, mas balançaram a cabeça de forma sugestiva.
Era o suficiente para entender o que queriam dizer.
As duas aproximaram-se mais da amiga: "Lembro que a Alice até arrematou um item que você queria em um leilão tempos atrás."
"Por que ela se daria a esse trabalho?"
"Pois é."
As duas falavam em sintonia, e a amiga nem conseguia interromper; apenas ouvia com calma.
"Vamos lá cumprimentá-la daqui a pouco, para que ela não fique no vácuo, seria constrangedor."
Mal as duas terminaram de falar, viram de relance uma figura branca atravessar a multidão e ir em direção a ela.
Era o segundo filho da Onyxaura, que elas estavam observando há pouco.
As duas calaram-se instantaneamente.
O rapaz aproximou-se dela, disse algo e estendeu a mão.
Ela colocou a mão sobre a dele com naturalidade.
O nobre cavalheiro inclinou-se e fez um beija-mão educado.
A amiga, vendo a expressão impagável das duas ao seu lado, não disse nada; levantou-se com um sorriso: "Continuem, eu tenho um compromisso."
Então, as duas viram, atônitas, a amiga caminhar em direção a ela.
?
O compromisso da amiga era... com ela?!
O que isso significava?
Elas não viviam disputando coisas em leilões e não se davam mal?
"..." E elas acabaram de falar mal dela para a amiga por tanto tempo!!!
Ela conversou brevemente com o rapaz.
Ele mencionou: "Eu convidei seu irmão Arthur também, vocês não vieram juntos?"
"O segundo irmão?" Ela sorriu, falando um francês fluente. "Não sabia que ele viria, se soubesse teríamos vindo juntos."
"Ele deve ter chegado no voo desta manhã."
O olhar do rapaz caiu sobre o colar que ela usava.
Houve um traço de surpresa em seus olhos: "Perdoe a indiscrição, mas este diamante rosa é..."
Alguém que o acompanhava mencionou: "Parece o diamante Rosa Nebula que foi leiloado há alguns meses por 230 milhões."
Ela ficou levemente atordoada.
O rapaz viu a expressão confusa dela e sorriu: "A cor e a qualidade parecem idênticas."
Ele explicou: "Este diamante Rosa Nebula é conhecido como a pedra da lealdade e do amor. Eu estava presente no leilão, foi feito de forma privada, não se descobriu o comprador."
"Mas estou realmente curioso, a senhorita já tem alguém?"
O coração dela deu um salto.
Henrique lhe dera o colar, mas não mencionara esse significado.
Quase simultaneamente, Arthur, que acabara de entrar no salão, ouviu exatamente essa frase.
Ele olhou fixamente para o diamante rosa no pescoço dela; o brilho da pedra deixava seus olhos ardendo.