CAPÍTULO 13: Na verdade, eu não sou flor que se cheire, querida
A voz profunda e quente penetrou por seus ouvidos até a medula, provocando leves tremores.
O corpo de Alice estancou.
Atrás dela, Lucas também caminhou em sua direção, perguntando com um tom indecifrável sobre outra coisa: "Então o irmão mais velho tem a chave."
A voz do outro homem fez os nervos tensos de Alice vibrarem.
Ela conseguia sentir suas costas sendo corroídas por olhares ardentes.
Acompanhado pela pergunta pausada de Lucas: "E quanto a mim?"
Os dois estavam muito próximos.
Alice, cercada pelos dois lados, ficou sem palavras por um momento.
De um lado, temia que o casamento mencionado por Henrique fosse ouvido por Lucas; de outro, temia um surto de Lucas, que era o mais ciumento dos três: "Eu vou trocar as fechaduras mais tarde, então por enquanto..."
"Tudo bem, então eu espero mais um pouco", Lucas riu, prolongando a entonação, mostrando as pontas de seus dentes caninos. "Afinal, em casa, seu quarto é o único onde eu não tenho permissão de entrada; este lugar aqui não vai ser o único a me barrar, vai?"
Alice tentou explicar apressadamente: "Em casa, aquilo é..."
"Aquilo é a lista negra de permissões que eu configurei para você", Henrique interrompeu. "Eu achei que você já soubesse o motivo de não ter acesso."
Lucas encarou o irmão mais velho: "O irmão não acha que está se metendo demais?"
Henrique perguntou a Alice: "Alice, você acha que estou me metendo demais?"
O couro cabeludo de Alice formigava; ela não conseguia responder a nenhuma das perguntas. Segurando o jantar, ela se esquivou por entre os dois: "Acho que deveríamos comer."
Na sala, restaram temporariamente apenas os dois.
Lucas olhou fixamente para Henrique: "Veja, Alice não quer te responder."
"Também não vi ela te dar preferência", Henrique sabia exatamente o que incomodava Lucas, cutucando sua ferida com poucas palavras.
Em outras palavras: você também não é nada especial para ela.
Lucas entendeu o que ele quis dizer, rangeu os dentes e, de repente, sorriu: "Irmão."
"Não vá se perder no personagem de tanto fingir, a ponto de enganar a si mesmo."
Ele deu um passo à frente, sussurrando ao lado de Henrique: "Não pense que eu não sei. Você também se corrói por dentro porque ela não faz distinção entre o tratamento que dá a nós e a você."
Lucas lançou essa frase e saiu direto pela porta.
O som da porta se fechando assustou Alice e deixou Henrique mergulhado em pensamentos pesados.
Ele permaneceu parado no mesmo lugar, vendo Alice sair surpresa da sala de jantar: "O Lucas foi embora?"
"Ele não vai ficar para jantar?"
O brilho nos olhos de Henrique estava oculto sob os óculos de armação dourada.
As lentes suavizavam sua expressão, conferindo-lhe um ar de intelectual pacífico.
Isso mascarava quase perfeitamente os pensamentos frenéticos em seu âmago. Lucas estava certo.
Henrique perguntou: "Você queria muito que ele ficasse?"
"Já que ele veio até aqui..." O lamento de Alice era evidente. "Deveria ao menos comer antes de ir."
Alice olhou para Henrique: "Vocês brigaram de novo? Ou ele ficou chateado porque eu não dei a chave para ele?"
Henrique caminhou em direção à sala de jantar: "Não, ele tem outros assuntos para resolver."
"Se ele está descontente, é comigo, não tem nada a ver com você."
Alice murmurou um "ah", meio desconfiada.
No entanto, ela sempre soube que a relação entre seus três irmãos não era boa.
Raramente havia momentos de harmonia quando se encontravam.
A origem disso remontava à época do divórcio de seus pais, quando cada um levou um filho, plantando a semente do conflito.
Naquela época, Henrique ficou com o pai em Hong Kong, e Arthur seguiu a mãe para o exterior.
Como ambos eram jovens, tornaram-se mais próximos de quem os criava, e suas personalidades acabaram moldadas por eles.
Arthur achava o irmão dogmático; Henrique achava o irmão um libertino.
Após o divórcio, Helena foi convidada uma vez a retornar a Hong Kong para um coquetel.
E engravidou do terceiro filho.
Helena queria abortar, mas Augusto não permitiu.
Lucas nasceu no pior momento da relação entre os dois.
Augusto acreditava que um filho poderia segurar a esposa.
Mas Helena não era desse tipo; ela sentiu que Augusto a enganara novamente, e os dois tiveram outra briga feia.
Durante a infância, Lucas foi criado basicamente por Henrique, pois raramente via os pais; por isso, mais tarde, ele não ouvia mais ninguém.
Henrique sempre tentava discipliná-lo, e ele revidava.
Quanto a como Augusto e Helena fizeram as pazes, Alice não sabia.
O que ela sabia era que, depois que eles se reconciliaram, ela veio ao mundo.
Ou talvez eles só tenham feito as pazes por causa dela.
Mesmo após a reconciliação, o modo como lidavam com os filhos não mudou.
O mais velho ficava mais com o pai, o segundo mais com a mãe, e o terceiro fazia qualquer um lembrar dos tempos de maior hostilidade entre o casal.
Lucas era o filho que recebia menos atenção.
Por isso, Alice podia ser caprichosa com o mais velho e perder a paciência com o segundo, mas com Lucas, ela sempre era quem dizia mais palavras doces.
Só que esses três homens não lhe davam sossego.
Desde que Alice se lembrava, os irmãos brigavam frequentemente.
O cenário mais comum era Lucas causando problemas, Henrique dando sermões e Arthur assistindo à cena enquanto colocava lenha na fogueira.
Mas os três irmãos, sem exceção, a tratavam muito bem.
Todos eram importantes para ela, então Alice vivia se desdobrando para mediar as situações.
Com Lucas, bastava um carinho.
Com o mais velho, bastava fingir que o obedecia.
Com o segundo, bastava fazê-lo calar a boca.
Alice era muito experiente nisso.
Homens, afinal, eram fáceis de lidar.
Alice deu uma mordida em um pão de porco assado enquanto ligava a tela do celular, querendo ver se Lucas lhe enviara alguma mensagem.
Inesperadamente, viu a mensagem que começara a digitar para Henrique e não terminara.
A mensagem não enviada, marcada com o quadro vermelho de rascunho, fez seu coração apertar.
Alice lembrou-se de que Henrique estava ali justamente para tratar do casamento.
Ela desligou a tela do celular, sentindo-se culpada.
Aceitar era uma coisa, mas encarar o fato com clareza ainda lhe trazia certa insegurança.
Os pequenos gestos de Alice foram todos captados por Henrique.
Ele entregou os documentos a ela de forma direta: "Os materiais necessários já foram organizados, dê uma olhada."
"Tão rápido."
Não havia passado nem um dia.
"Apenas alguns papéis", Henrique antecipou-se ao que ela poderia dizer. "Alice não vai me dizer que ficou com medo deles e quer desistir, vai?"
Henrique sabia exatamente o que Alice não suportava ouvir.
Alice, de fato, engasgou: "Como eu teria medo deles?"
Ela pegou os papéis e começou a folheá-los.
O som ruidoso das folhas sendo viradas preenchia o silêncio da sala de jantar.
"Você tem razão, eu não me conformo", Alice ponderou, sendo honesta com ele. "Mas eu estou apenas com raiva, apenas querendo me vingar deles. Fazendo isso, você está querendo pagar o pato pelas minhas emoções."
Henrique disse calmamente: "Por que você acha que isso é apenas uma emoção sua, e não minha também?"
"Acredito que sou qualificado o suficiente para garantir o respaldo para as nossas perdas e emoções."
Alice sabia que Henrique raramente era passado para trás; este incidente foi, sem dúvida, a vez em que ele e o pai foram mais duramente atingidos desde que entraram no grupo. "Mas nós realmente podemos fazer isso?"
"Por que não poderíamos?"
Alice olhou para ele e o chamou de forma sugestiva: "Irmão..."
Esse tratamento era o ponto mais proibido entre eles.
Era um lembrete da antiga relação.
O olhar de Henrique escureceu, respondendo às preocupações dela de forma ambígua: "É só uma questão de hábito."
"Afinal, eu não sou seu irmão de sangue."
Essas palavras foram um pouco frias.
Era como se ele estivesse traçando uma linha divisória com o passado deles.
"Apenas nos considere estranhos com interesses em comum."
Alice sentiu-se inquieta e um pouco descontente ao ouvir aquilo.
Ela continuou lendo os documentos, adotando um tom de negociação: "Eu temia te causar problemas, mas já que é assim, diga-me: que vantagens você obtém comigo?"
Na verdade, os materiais que Henrique entregou compunham a totalidade de seu patrimônio.
Após a conferência dela, tudo seria registrado como bens matrimoniais.
Mesmo sendo uma cooperação, era uma cooperação em que ele saía em grande desvantagem.
"Eu também preciso que alguém me dê garantias."
Alice perguntou: "Que garantias?"
"Depois que o papai saiu do conselho, é inevitável que eles fiquem de olho na minha parte."
"Existem três formas de me atingir: primeiro, unir acionistas para manipular a empresa e me isolar."
"Segundo, me forçar a cometer um erro grave de decisão, causando prejuízo ao grupo."
"Terceiro, caso eu sofra algum imprevisto e perca temporariamente o controle das ações e bens, aproveitar a oportunidade para usurpá-los."
Alice entendeu; esse tipo de coisa não era incomum.
Henrique continuou: "Para a primeira, eu coloquei o Arthur no conselho para vigiar para mim."
"Para a segunda, eu mesmo tomo cuidado."
"Mas para a terceira, preciso de alguém que garanta minhas ações e bens particulares, alguém que intervenha e trate disso por mim em caso de necessidade, para evitar que outros tirem proveito."
"Acredito que ninguém é mais adequado que você."
Alice começou a entender o que ele queria dizer, mas antes que pudesse perguntar algo.
Henrique empurrou vários documentos: o "Acordo de Propriedade de Ações e Bens em Conjunto pelo Casal", a "Procuração de Autorização de Acionista" e o "Acordo de Doação de Bens", entre outros papéis de autorização.
Alice analisou por um momento; ela sabia da importância daquilo: "Você vai entregar tudo isso para mim?"
Henrique olhou para ela: "Ou você pode me ajudar a pensar: para quem mais eu poderia entregar?"
Alice folheou os documentos um a um.
Conseguia sentir o estado de vulnerabilidade da família dentro do grupo após terem sido enganados.
Henrique assumira a presidência interina, lidando com questões complexas e perigosas.
Se um dia algo realmente acontecesse com ele e não houvesse ninguém para exercer seus direitos, outros assumiriam o controle da situação.
Alice percebeu que também não conseguia pensar em alguém mais adequado.
Esse tipo de coisa deve ser entregue a parentes de absoluta confiança; na família, além dos pais, havia os irmãos.
A relação entre os três irmãos não era boa o suficiente para confiarem o patrimônio uns aos outros; o pai acabara de sair do conselho e estava em período de punição; a mãe, na época do divórcio, rompeu drasticamente com o grupo para ser independente.
E a outra identidade legítima que poderia controlar seus bens era o cônjuge.
Henrique repetiu: "Eu não quero ficar à mercê de ninguém, e sei que você também não quer. Por isso, fiz minha escolha antecipadamente."
"Eu disse que não me importo que você me use, por isso vou aumentar sua aposta."
"Eu também espero que você me escolha."
Alice largou os documentos e pegou uma caneta ao lado.
No meio de um longo silêncio, ela falou: "É claro que eu escolho você, irmão."
"Mas espero que você nunca precise de mim para isso."
"Além disso", Alice fez seu próprio julgamento, "não importa o quão grave você pinte a situação, ainda acho que você sai perdendo nesta cooperação."
Henrique baixou o olhar e, instantes depois, levantou-o, prendendo-a em seu campo de visão: "Não necessariamente."
Afinal, o que ele realmente queria era ela.
Henrique: "Vamos tentar?"
No dia seguinte, Alice recebeu um telefonema de Helena.
Queria que ela a acompanhasse em umas compras.
Ao chegar, Alice percebeu que Helena a levara para escolher móveis. Enquanto escolhia, Helena dizia: "Sua ingrata, disse que ia se mudar e se mudou mesmo."
"Quando é que você viu essa casa? Eu nem fiquei sabendo." Helena virou uma página do catálogo de design: "Esses sofás não prestam, são muito rígidos, iguais ao seu pai."
Ela selecionou alguns modelos de sofás puff, camas pet para humanos e estilos de tatame para Alice escolher: "Mas mudar-se também traz sossego."
Helena sabia que, com as coisas chegando a esse ponto, não podia culpá-la por se mudar.
Se fosse ela mesma, não apenas se mudaria.
Antes de ir, viraria a mesa da família Cavalcanti.
Sua querida Alice ainda era civilizada e educada.
Na verdade, Helena quis virar a mesa no dia daquela reunião familiar, mas como Lívia estava presente, precisava manter a imagem de mãe gentil primeiro.
Alice encostou-se em Helena: "Se você sentir saudade, pode vir morar comigo."
Helena a conhecia bem: "Para quantas pessoas você já disse isso?"
"Não quero chegar lá e ver que sua casa está uma agitação só e que eu sou apenas mais uma."
"Como pode ser?" Alice sentiu que os gostos da mãe combinavam perfeitamente com os seus; ela ficou com os móveis casuais que Helena escolhera.
Helena mencionou de repente: "Não sei o que deu no seu irmão mais velho, ultimamente ele também está arrumando uma casa nova."
O movimento de Alice folheando o manual parou.
"Será que ele também se irritou? Mas aquele menino é tão calado que nem seu pai consegue saber o que ele está pensando", Helena perguntou a Alice. "Você se dá bem com ele, sabe de algo?"
Sentindo-se culpada, Alice pegou o chá preto ao lado: "As coisas do irmão... como eu saberia de tudo?"
"Ouvi dizer que ele está arrumando aquela propriedade dele, o Palácio de Coral, no mar. Ele comprou há dois anos e só recebeu as chaves este ano." Helena começou a falar sem parar: "Sempre achei que aquela seria a casa de casado dele. Será que você vai ter uma cunhada?"
Alice engasgou com o chá.
"Devagar." Helena massageou as costas de Alice. "Mas eu nunca vi ele se interessar por nenhuma garota, e ele não é muito de dar carinho, igual ao seu pai."
"Que garota seria tão doida de casar com ele? Se eu fosse a mãe dela, com certeza não deixaria."
Helena suspirou novamente enquanto falava: "Mas seu irmão não vai ficar solteiro para sempre. Se ele realmente tiver alguém, eu vou ter que sentir um pouco de pena dessa nora."
"Não me venha trazer para casa alguém como seu irmão mais velho", Helena alertou Alice. "Se for procurar, alguém como seu segundo irmão é melhor; tem bom temperamento e sabe agradar as pessoas."
Alice concordou com risadinhas para disfarçar.
Helena murmurou confusa: "Mas por que seu segundo irmão também nunca teve namorada?"
Alice foi levada por Helena de volta para Yunding Bay para jantar; Helena exigiu que ela ficasse em casa no fim de semana.
Por coincidência, todos estavam presentes.
Exceto aqueles parentes inconvenientes.
Por isso, o clima do jantar estava razoavelmente harmonioso.
O foco eram as perguntas sobre a nova moradia de Alice.
O único que permanecia teimoso e calado era Augusto Cavalcanti.
Lívia e Alice estavam sentadas juntas; ouvindo a conversa, Lívia de repente tocou a taça de Alice com a sua e perguntou baixo: "Você vai morar sozinha?"
Alice segurou a taça: "Vou."
Lívia assentiu.
Em seguida, disse com um tom enigmático: "Tenha cuidado com esses três."
Lívia sabia que dizer aquilo era arriscado.
Se Alice não acreditasse, ela ficaria mal com todo mundo.
Lívia esperava o questionamento ou a refutação de Alice.
No entanto, Alice se aproximou e perguntou: "O que houve? Eles te maltrataram em casa?"
Lívia virou levemente o rosto para olhá-la.
Alice tocou-a com o cotovelo: "Por que está me olhando? Diga."
Lívia desviou o olhar: "Não chegaram a tanto."
Alice recostou-se: "Não tenha medo. Se eles te dificultarem a vida, me conte."
Lívia segurava os palitinhos, fixando o olhar na comida em seu prato, distraída por um instante.
Pronto, ela parecia entender cada vez mais.
Entender por que aqueles três tinham aquele tipo de pensamento sobre Alice.
Alice carregava consigo um magnetismo que dava vontade de fazer algo com ela.
Do outro lado, os três homens terminaram de comer e saíram um após o outro.
Henrique estava ocupado organizando suas coisas; ao chegar ao andar de seu quarto, viu duas pessoas sentadas no sofá do átrio do corredor.
Henrique agiu como se não os visse e seguiu para seu quarto.
Os dois, porém, levantaram-se e caminharam em sua direção simultaneamente.
Um deles o chamou: "O irmão mais velho voltou?"
Henrique não respondeu; assim que empurrou a porta, o outro segurou a maçaneta.
Arthur fechou a porta do quarto dele: "Vamos conversar. No que você tem andado ocupado ultimamente? Organizando patrimônio e arrumando casa nova?"
"Apenas um levantamento rotineiro de bens."
Lucas brincava com seu canivete suíço: "O irmão não precisa ficar inventando tantas desculpas. Nós nos conhecemos bem."
Henrique parou e olhou para eles: "E então?"
Lucas encarou-o: "Então, você ajudou a Alice a trocar as fechaduras. Não deveria ter feito isso pelas nossas costas, nem deveria usar sua posição de irmão mais velho para pressioná-la e impedi-la de ter contato conosco."
"Se ela quiser, você não pode interferir."
Henrique ouviu as palavras dele: "Se ela realmente quisesse, minha interferência não teria efeito."
"Portanto, para ela, vocês não são tão importantes."
Henrique ia se virar para entrar no quarto.
Atrás dele, Arthur chamou-o pelo nome completo: "Henrique Cavalcanti, na situação atual, você tem que admitir que todos nós temos uma chance."
"Se você realmente achasse que não somos uma ameaça, não estaria com tanta pressa."
"Você é o que mais teme ficar de fora."
Henrique estava de costas para eles.
As sombras à sua frente eram densas.
Lá embaixo, no final do jantar, Helena chamou Alice que se preparava para subir: "Fique em casa por estes dias, seu lugar ainda precisa ser arrumado."
Alice hesitou e inventou uma desculpa: "Combinei de sair com amigos na segunda-feira, então não estarei em casa."
Helena lamentou: "Tudo bem."
Alice entrou no elevador com Lívia; por um breve momento, estavam apenas as duas.
Lívia perguntou casualmente: "O que vai fazer na segunda-feira?"
Alice piscou os olhos: "Vou me divertir."
Lívia não perguntou mais nada, apenas observou o brilho metálico das paredes do elevador e perguntou: "Que tipo de pessoa você acha que eu sou?"
Alice não entendeu por que Lívia perguntara aquilo de repente: "Você é uma pessoa muito boa."
"Na verdade, eu não sou flor que se cheire, querida", Lívia respondeu pausadamente. "Incluindo o Henrique, ele não é o cavalheiro que aparenta ser."
O coração de Alice deu um salto ao ouvir a menção súbita a Henrique.
"Por..." Ela ia perguntar mais, mas Lívia a alertou: "O elevador chegou."
Alice recobrou os sentidos.
Teve que sair do elevador fingindo calma e despedir-se dela.
Alice abriu a porta de seu quarto, distraída, e deu de cara com Henrique esperando por ela.
Ela tomou um susto: "Como você..."
"Quem te trouxe de volta?"
"A Lívia." Alice olhou para ele: "Quando você entrou? Ninguém te viu, viu?"
"Por quê?" Henrique aproximou-se, e sua sombra a envolveu. "Tem medo que eles saibam que vamos registrar o casamento na segunda-feira?"