localização atual: Novela Mágica Moderno Romance Entre Lobos: A Herdeira Rejeitada ​​​​​​​CAPÍTULO 7: Não vai voltar para vê-lo?

《Entre Lobos: A Herdeira Rejeitada》​​​​​​​CAPÍTULO 7: Não vai voltar para vê-lo?

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CAPÍTULO 7: Não vai voltar para vê-lo?

Impossível.

A mimada Verena jamais conseguiria, um segundo após tê-la insultado, humilhar-se com um sorriso forçado para lhe pedir ajuda.

Alice certamente a faria passar por um vexame terrível antes de aceitar ajudar.

Mas também era a primeira vez que Verena se via obrigada a ligar para Deus e o mundo pedindo ajuda por causa da conta de alguns cafés.

Primeiro ligou para o pai, que não atendeu; depois para a mãe, que disse não ter tempo, alegando que não valia a pena se deslocar por causa de "algumas xícaras de café".

Ao chamar as amigas, não escapou de ser ridicularizada: "Não é possível, de quem é esse café tão caro? Se não pode pagar, não beba."

"Estou fazendo as unhas, não tenho tempo."

Algumas delas, naquele momento, perceberam que ninguém sairia ganhando ao criar atritos com a família Cavalcanti. Fosse com Alice, que elas julgavam estar na ruína, ou com Lívia, que viera de uma origem humilde.

Logo, as acompanhantes tentaram apaziguar a situação: "Foi apenas um momento de exaltação da Verena, ela disse coisas desagradáveis. Somos todas amigas, viemos para nos divertir. Pedimos desculpas a vocês e damos o assunto por encerrado."

Verena não gostou: "Por que agora a culpa é toda minha? Vocês não falaram nada?"

A colega também se irritou; ela realmente não queria ofender os Cavalcanti, seu pai certamente a mataria: "Nós erramos. A Alice tem bom gênio, basta um pedido de desculpas, por que você tem que fazer tanto alarde?"

Verena reagiu como se ouvisse uma piada: "Agora ela tem 'bom gênio'? Como você consegue ser tão duas caras? O que você disse na hora foi muito pior que o meu..."

"Cale... cale a boca!"

Fosse como fosse, Verena preferia morrer a ferir seu orgulho e pedir ajuda.

Mas ser vista por elas enquanto ligava desesperadamente para todos também não era nada honroso.

Alice não se importava com a discussão; ela sentou-se ao lado, assistindo ao espetáculo enquanto esperava o desfecho.

O gerente da Berko lhe entregou novamente o catálogo para que ela escolhesse o bolo de aniversário.

O gerente observou de relance as jovens perturbadas e balançou a cabeça discretamente.

Essas garotas eram curtas de visão ao bajular quem está no topo e pisar em quem acham estar por baixo.

Independentemente da origem de Alice, os vinte anos de contatos, conhecimento e recursos acumulados por ela não terminariam com um simples teste de DNA.

Algumas, não aguentando a pressão, aproximaram-se para pedir desculpas a Alice e Lívia.

Mesmo com o pedido de desculpas, não ousaram não pagar; ligaram para que suas famílias resolvessem a pendência.

Cerca de meia hora depois, o assistente do pai de Verena chegou às pressas.

Ao entrar, desculpou-se imediatamente com Alice: "Sinto muitíssimo, o erro foi nosso, por favor, não se ofenda."

Alice não respondeu.

Ignorando a reação de Verena, o assistente prosseguiu: "Pagaremos por todos os prejuízos de hoje e pelos móveis danificados conforme o valor de mercado."

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Verena arregalou os olhos: "O que você está fazendo? Foram elas que quebraram..."

O assistente barrou Verena e, após quitar as dívidas rapidamente, retirou-se.

Verena foi levada por alguns seguranças, bufando de raiva: "Por que ser tão servil? Que vergonha!"

O que tinha a família Cavalcanti? Seu pai vivia lhe contando piadas sobre eles.

Houve uma época em que o setor imobiliário enriqueceu muita gente no Rio, e Augusto Cavalcanti fora um deles.

Mas todos sabiam como estava o mercado imobiliário agora. Mesmo que Henrique tivesse investido em outros setores ao assumir, o que isso importava? Ele estava no comando há apenas alguns anos.

Além disso, após o escândalo de Alice, as ações deles caíram por sete dias consecutivos; muitos investidores e parceiros falavam em retirar capital. O futuro era incerto.

Enquanto isso, a família dela prosperava como o sol ao meio-dia nos últimos três ou cinco anos.

Quem agarra a oportunidade certa voa alto.

O assistente não podia ser rude com ela, mas estava exausto das reclamações: "O Dr. Veras foi denunciado anonimamente hoje. O conselho de administração ainda está reunido."

Verena disse com desdém: "Denunciado? Por quê?"

"Corrupção e uso indevido de verbas públicas."

O assistente tinha a voz cansada: "Novas evidências surgem a cada dia. O presidente está desesperado e pediu para a senhoria se comportar."

"Entre as evidências, estão seus gastos pessoais, incluindo esse colar."

O corpo de Verena enrijeceu.

Na cafeteria, que finalmente ficara silenciosa.

Alice, sem aviso, esticou a mão sobre o balcão em direção ao brinco preto na orelha de Lívia.

Lívia esquivou-se por instinto, e a mão de Alice pegou o vazio.

Sem conseguir tocar, Alice fez um biquinho e voltou a morder o canudo de seu café, sem mais movimentos.

Alice não sabia explicar por que sentira o desejo repentino de tocar o brinco de Lívia.

Achava aquela peça misteriosa; à primeira vista parecia opaca, mas ocasionalmente emitia um brilho muito estranho.

Não era o brilho de uma joia.

Parecia uma luz azul tecnológica.

Lívia a observou por um bom tempo antes de falar: "Tanta curiosidade sobre mim?"

"Quem disse que estou curiosa?"

De repente —

— Alice viu Lívia colocar sobre a mesa o pequeno robô que ela usara para espioná-la tempos atrás.

O movimento de Alice com o canudo parou.

Lívia continuou: "Não está curiosa?"

Alice desviou o olhar, pegou o robozinho e o guardou na bolsa, entregando-a para Cherry: "Não estou."

Lívia sorriu sem dizer nada.

Alice sentia vagamente nos olhos de Lívia o mesmo interesse daquele dia, e tentou disfarçar: "Você conhece este objeto?"

"É um robô inteligente da Imbue", Lívia a lembrou. "Irmã, eu trabalho com digitalização."

"Câmeras de monitoramento remoto são tecnologia básica."

Em outras palavras, ela percebera desde o primeiro segundo que Alice a estava espionando.

Alice girou a cadeira do balcão, dando as costas por culpa: "Ah."

Ela mudou de assunto, pegando o catálogo de bolos e perguntando a Lívia: "Qual destes dois você acha melhor?"

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Uma desculpa muito esfarrapada.

Lívia, contudo, deu-lhe uma opção: "O de caviar."

Alice assentiu, entregou o catálogo ao gerente da Berko e levantou-se com sua bolsa: "Bom, então eu já vou."

Lívia, de repente, perguntou: "Vai para casa hoje à noite?"

Alice não queria voltar ainda: "Não, ainda não me diverti o suficiente."

"A menos que você peça para o papai me implorar para voltar."

Alice ainda estava brava.

Estava fora de casa há dias e Augusto não perguntara nada.

A única vez que ligou foi para usá-la como ponte para falar com Arthur.

Helena até perguntara algumas vezes, mas Alice era assim.

Enquanto os dois "culpados" não se dobrassem, ela não voltaria.

Lívia não entendia bem a dinâmica da família deles, apenas achava estranho: "Mas seu pai pergunta por você todo dia em casa, e vive pressionando sua mãe para te mandar mensagens."

Alice era vingativa: "O que isso importa? Ele acha que basta jogar uma isca para eu voltar correndo?"

Como se ela estivesse implorando para ficar na casa.

Lívia achava aquela situação interessante.

Se fosse com o pai dela, ele já a teria bombardeado com mensagens carinhosas, pedindo para não assustá-lo.

Em três segundos ele convenceria uma garota com o temperamento de Alice a voltar.

Augusto Cavalcanti era o tipo de pai que ela detestava.

Autoritário e imponente.

Ele a buscou, mas não queria entregar Alice.

Aproveitando-se do fato de que o pai biológico dela ainda não sabia da situação devido à natureza de seu trabalho, ele agia por conta própria, o que fazia Lívia ter muitas ressalvas contra ele.

Augusto prometera uma compensação financeira à mãe de Lívia.

Com a condição de que Alice ficasse com ele.

A mãe de Lívia, temendo causar problemas ao marido, não contestou Augusto.

E, claro, não aceitaria o dinheiro.

Apenas teve que reportar a situação ao departamento de trabalho do marido.

Enquanto isso, Augusto queria pagar dezenas de milhões por ano para manter Alice por perto.

Contudo, recusava-se a pedir desculpas ou a mimar Alice para que voltasse; mantinha-se firme, dizendo que ela voltaria quando se cansasse de brincar lá fora.

Como se achasse que tudo estava sob seu controle.

Ele achava que só precisava dar ordens, sem nunca baixar a guarda.

Um absurdo.

Mas Lívia conseguia entender.

Geralmente, quem passa muito tempo mandando nos outros acaba ficando com algum parafuso a menos.

Enquanto Lívia estava distraída.

Alice aproximou-se subitamente e perguntou: "Por que a pergunta? Quer que eu volte?"

Lívia hesitou por um momento e não respondeu.

Alice afastou suavemente o cabelo da orelha de Lívia: "Não é melhor eu não estar em casa? Assim não precisamos lidar com esse clima estranho."

Aquele rosto angelical estava colado ao de Lívia. Lívia, desconfortável com a proximidade, desviou o olhar enquanto girava sua xícara: "Por que você acha que..."

Antes que terminasse a frase, os dedos de Alice apertaram de repente o lóbulo de sua orelha.

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Lívia calou-se abruptamente.

No instante seguinte, sentiu Alice roçar no brinco e dar um sorriso travesso: "Toquei."

Alice era como uma gata que, quanto mais era proibida de algo, mais desejava fazê-lo.

Com a travessura feita, ela bateu palmas e saiu triunfante: "Fui."

Lívia demorou a reagir, soltando uma leve risada enquanto retirava o brinco.

No celular, havia respostas do secretário do Grupo Cavalcanti: [Informações sobre a investigação de Verena Veras recebidas e entregues à matriz.]

Lívia não se importava com um brinco falso de cinquenta reais, especialmente se ele fizesse a família de Verena perder pelo menos quinhentos milhões.

Era o preço por terem espalhado aqueles segredos e destruído a vida tranquila que ela tinha.

O motorista a esperava do lado de fora.

Lívia entrou no carro, abriu o tablet e deixou o brinco ao lado.

A luz discreta da câmera no brinco apagou-se, com a conexão cortada manualmente.

Lívia tocou na tela para abrir alguns arquivos de vídeo; eram todos registros daquelas socialites ostentando a fortuna da família diante dela — cada prova era um trunfo.

Ela fez um backup na nuvem e limpou o espaço do tablet.

Os vídeos passaram rapidamente até que ela apertou o pause em um momento específico.

Na tela, estava o rosto daquela beldade oriental, ampliado sem perder a nitidez.

Com traços delicados, ela afastava o cabelo de Lívia dizendo algo fofo, até que a ponta do dedo de Alice tocou a superfície opaca do brinco, refletindo com clareza seus olhos brilhantes como a lua e sua pele de porcelana.

Lívia pensou:

Ela... se parece muito com a mãe.

O ser humano tende a sentir afeição por rostos que lhe são familiares há muito tempo.

Mesmo que seja apenas uma semelhança.

Tarde da noite, uma moto customizada atravessava as ruas desertas e silenciosas, parando finalmente na porta de um bar.

O homem apoiou as pernas longas no chão; a calça de couro refletia o brilho frio da noite da cidade, realçando as linhas fortes de suas pernas.

Retirou o capacete e o deixou de lado.

O cabelo na testa estava levemente úmido de suor, moldando seu rosto de traços marcantes.

Dava-lhe um ar ainda mais viril.

Bernardo desceu da moto e entrou diretamente no lounge que ainda funcionava naquela hora.

O bar ainda estava cheio de clientes habituais.

O cantor apresentava uma música após a outra.

Em um camarote VIP, um jovem acenou para ele.

Bernardo aproximou-se e colocou a chave de sua moto na mesa: "Me dê a sua."

O jovem entregou a chave do carro já preparada e brincou: "Aquela sua moto ficou no aeroporto um mês sem manutenção, já é um milagre ter aguentado tanto. Mas você tem pressa de voltar hoje? Já são três da manhã."

O amigo lembrava que Bernardo recebera a notícia antes de entrar em uma prova de rally, e aquela corrida fora a mais agressiva de sua carreira.

Terminada a prova, ele nem sequer participou da cerimônia de premiação.

Bernardo, irritado com o barulho ao redor, pegou a chave para sair: "Vou passar em casa primeiro."

"Ver quem?", o homem encostou no balcão. "Sua irmã querida não deve estar em casa esses dias."

Bernardo parou o passo e virou-se: "Como assim?"

"Boatos... eu ouvi por aí que alguém viu uma certa pessoa em um hotel spa..." O homem girava o chaveiro, mas parou ao sentir um clima gelado subir pelos pés.

Bernardo, sem que ele percebesse, voltara e se apoiara no balcão: "Mais alguma coisa?"

O homem parou de girar as chaves: "Não... nada."

"Ah", Bernardo sorriu de forma sombria, "e por que você anda querendo saber da minha irmã?"

O homem sentiu um calafrio da cabeça aos pés: "Não, eu na verdade... eu..."

Antes que ele formulasse uma desculpa, ouviu-se uma risada alta e estridente vinda de uma mesa próxima.

"Por que não chamou aquela atriz iniciante que você conheceu para vir se divertir?"

"Chamei, mas a novata ainda não sabe como as coisas funcionam. Vou criar um obstáculo para ela; quando estiver em apuros, ela virá me implorar."

"Diga-se de passagem, aquela foto da Alice Cavalcanti anos atrás causou o maior alvoroço. Achei que ela fosse entrar para o meio artístico."

"Uma pena. Se ela tivesse entrado, agora que está em dificuldades, a gente não estaria pegando essas atrizinhas, hahahaha..." O grupo riu novamente, uma risada vulgar e arrogante. "Mas quem disse que a oportunidade acabou?"

De repente, alguém tocou no ombro do homem que falava.

Ele virou-se impaciente: "Quem é?"

Bernardo usava uma máscara, e seu rosto estava oculto pela penumbra: "Me empresta um fogo."

O homem o analisou, jogou o isqueiro para ele e continuou a contar vantagem para os amigos.

O isqueiro girou na mão de Bernardo, que acionou a chama com facilidade para acender um cigarro.

O metal acobreado brilhava entre seus dedos.

O homem conversou mais um pouco e notou que Bernardo estava saindo com o isqueiro: "Ei, garoto, volta aqui!"

Bernardo caminhava de costas para eles, brincando com o objeto: "Calma."

Seus olhos refletiam a luz azul da chama por um breve instante.

"Aqui." Bernardo jogou o isqueiro de volta.

O homem o pegou resmungando e começou a brincar com a chama.

Na segunda ou terceira tentativa...

Subitamente, um estrondo de explosão ecoou pelo camarote!

As garrafas na mesa estouraram uma após a outra, causando pânico no local.

Os garçons correram para ajudar.

O amigo de Bernardo observou a confusão e tomou dois goles de sua bebida com pena.

Apenas Bernardo não pareceu ouvir nada; deu um leve sorriso e saiu carregando sua jaqueta de couro.

A luz alaranjada do fogo refletia em suas costas enquanto o caos se instalava atrás dele.

No dia seguinte, uma mensagem rara apareceu no celular de Alice.

Papai: [Seu terceiro irmão voltou. Não vai voltar para vê-lo?]

Alice estava no spa e apenas olhou para o aparelho antes de deixá-lo de lado.

Na mansão principal, Augusto Cavalcanti estava à mesa, analisando relatórios do grupo.

De vez em quando, olhava para o celular.

Mandara a mensagem de manhã, e já era tarde sem resposta.

Helena percebeu o movimento dele enquanto mexia em suas unhas decoradas: "O que está olhando?"

"Trabalho."

Helena não foi nada gentil: "Eu te disse para ligar logo para a nossa menina, em vez de ficar mantendo essa postura de pai autoritário."

Alice era chamada de outro nome em família antes da mudança oficial. Mas aquele nome era um segredo entre eles.

Augusto franziu o cenho: "Já disse que é trabalho. Tenho uma reunião do conselho às quatro."

Helena levantou-se e deu um tapinha no rosto impassível do marido: "Então fique com seu trabalho."

Augusto soltou um estalo com a língua: "Veja como você é impaciente."

"Ela aprendeu com você, a fugir de casa por qualquer motivo."

Helena o ignorou e bateu a porta ao sair.

Ao ver que estava sozinho, Augusto pegou o celular novamente.

Houve uma notificação no topo da tela, e ele abriu rapidamente.

Era do secretário: [Presidente, para a reunião das quatro, o carro já chegou à mansão.]

Augusto: ...

Ele não respondeu e saiu de casa com o rosto fechado.

Pouco depois de Augusto sair, todos na casa foram avisados de que Alice estava voltando e começaram a preparar o jantar às pressas.

Apenas Augusto, ocupado com o trabalho, não fora avisado.

Alice entrou na sala e viu Bernardo vindo recebê-la.

Ela correu para os braços dele: "Irmão!"

"Você finalmente voltou, senti tanta saudade."

"Eu vi a transmissão da sua corrida, foi incrível!"

Nesse momento, Henrique estava na porta da sala.

Arthur estava encostado no parapeito do segundo andar. Ambos observavam, sem desviar o olhar, Alice correndo para abraçar Bernardo e dizendo que sentira saudade.

Bernardo percebeu o olhar dos dois e os encarou com desdém.

Ele segurou a cintura de Alice: "Viu quando recebi o prêmio? O troféu deste ano é muito bonito."

Alice piscou: "Eu vi! Queria que você trouxesse o troféu para eu ver."

Bernardo deu uma leve risada perto do ouvido dela: "Uma pena, porque eu nem fui receber o prêmio."

"Quem foi que você viu?"

Alice sentiu um calafrio onde ele a segurava.

Bernardo captou a pequena expressão dela.

Alice sempre fora encantadora, mas nunca se sabia o que nela era verdade e o que era apenas para agradar.

Então, a história da corrida era mentira.

E a saudade?

Alice, sem ter para onde fugir sob o olhar dele, confessou envergonhada: "Na verdade, eu dormi na metade da transmissão."

Arthur aproximou-se sem que percebessem: "O que está acontecendo aqui?"

Ele, discretamente, segurou o pulso de Bernardo que estava na cintura de Alice; ao tentar afastar a mão do irmão, sentiu resistência.

As duas forças agindo sobre Alice criaram um clima estranho.

Por fim, Bernardo cedeu e recuou meio passo.

Arthur continuou com seu sorriso habitual: "Por que tanta animação com ele, Alice?"

"Não foi nada, só um cumprimento." Alice, tentando aliviar o constrangimento, pegou um cookie da mesa e disse de boca cheia: "Lá fora, beijos e abraços são apenas cumprimentos."

"Ah, cumprimentos."

Arthur assentiu e olhou para ela com a voz baixa: "Então por que não me cumprimenta assim?"

O movimento de Alice ao morder o cookie parou, sentindo algo estranho no peito.

Arthur a olhava com seus olhos penetrantes, abrindo os braços de forma natural.

Imediatamente, seu braço foi abaixado por Henrique.

Henrique foi curto e grosso: "Saiam."

"Dona Helena está na cozinha e mandou vocês irem ajudar."

Arthur e Bernardo não puderam contestar e saíram da sala contrariados.

O ambiente logo ficou silencioso.

Henrique, ao lado dela, pegou um lenço de papel.

Alice, divertida ao ver os outros sendo expulsos, relaxou e pegou um cookie de queijo e sal marinho: "Este está uma delícia."

"Irmão, experimenta..."

Antes que terminasse, o lenço na mão de Henrique já tocava seus lábios, limpando os farelos presos neles.

Os dedos grossos do homem, através do papel, pressionaram intencionalmente a maciez de seus lábios enquanto ele lhe fazia uma pergunta carregada de tensão: "Beijos são, para você, apenas cumprimentos?"

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