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《Entre Lobos: A Herdeira Rejeitada》​​​​​​​CAPÍTULO 6: Seus pecados são profundos

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CAPÍTULO 6: Seus pecados são profundos

O luar se estendia sobre a superfície do mar, uma luz dourada e suave que brilhava com clareza.

Dentro da villa sobre as águas, ouvia-se o som ambiente e constante das ondas.

Alice sentia sua consciência afundar, pesada.

Ela sonhou que tinha seis anos e estava sendo separada do quarto dos pais, mudando-se do quarto infantil no segundo andar da mansão principal para o terceiro andar, ao lado de Henrique.

Diziam que era para que o irmão mais velho pudesse cuidar melhor dela.

Mas ela não se adaptava.

Antes, era Helena quem a ninava; agora, tendo que dormir sozinha, ela não conseguia pegar no sono e não tinha coragem de apagar a luz.

Às vezes, por puro tédio, ela se levantava para inspecionar seus vestidos de princesa.

Escolhia um, vestia e deitava-se na cama, fazendo cosplay de Branca de Neve enquanto esperava um príncipe vir despertá-la com um beijo.

Nessa espera, ela acabava adormecendo.

Essa rotina durou um tempo, até que um dia, enquanto escolhia um vestido, Alice descobriu uma passagem no closet que levava ao quarto vizinho.

Ela entrou e deu de cara com Henrique, que terminara os deveres e se preparava para dormir.

Ambos ficaram paralisados por um instante. Logo em seguida, os olhos de Alice brilharam; ela olhou para a passagem secreta e disse: "Nossa, dá para passar por aqui!"

Antes que Henrique pudesse reagir, viu a garotinha correr de volta, pegar seu travesseiro e retornar, subindo na cama dele enquanto murmurava para si mesma: "Que coincidência, você também vai dormir agora, não é, irmão? Vamos dormir juntos."

Alice já havia ajeitado o travesseiro e olhou para Henrique.

Ela até deu tapinhas entusiasmados no lugar ao seu lado.

O jovem, cujas feições já demonstravam uma firmeza viril, franziu o cenho: "Volte. Vá dormir no seu quarto."

Alice ficou sentada na cama, atônita por dois segundos. Seus olhos grandes e úmidos como uvas negras mostraram mágoa: "Mas eu não consigo dormir."

"Aquele quarto é muito grande, eu tenho medo."

"Tantos cômodos e só eu lá sozinha..."

Henrique olhou para ela, franzindo a testa com mais força, mas foi incapaz de recusar: "Só desta vez."

"Oba!" Alice sorriu imediatamente e colocou seus livros ilustrados na frente dele. "Irmão, conta uma história para eu dormir."

Henrique nunca tinha contado histórias para ninar. Ele pegou o livro com certa hesitação e o abriu.

Não se sabe se foi a história ou a companhia, mas antes de Henrique terminar o primeiro conto, ouviu uma respiração ritmada ao seu lado.

O rosto da menina, esculpido como uma boneca de porcelana, parecia ainda mais delicado sob a luz.

A testa dela encostava nele, como uma pequena boneca.

Henrique apagou a luz com movimentos leves.

Como dizem, onde há uma primeira vez, há uma segunda.

E onde há uma segunda, há infinitas.

Henrique quis selar a passagem secreta, mas Alice não deixou.

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Ele sentia-se impotente: "Mas você já tem seis anos, precisa aprender a dormir sozinha."

Alice não entendia: "Por quê? Não posso ficar com meu irmão para sempre?"

Perto do meio-dia, uma tempestade tropical trouxe uma chuva repentina para a costa.

Alice acordou com o som do temporal, encolhendo-se sob o edredom. Sua cabeça doía intensamente.

Ela decidiu que nunca mais beberia tanto.

Alice esperou um pouco antes de se levantar, ainda zonza.

Ao sair para buscar água, viu Henrique sentado na sala com um café ao lado e um relatório nas mãos: "Acordou?"

Alice sentiu um súbito constrangimento.

Embora não lembrasse exatamente do que acontecera, tinha a vaga lembrança de que fora o irmão mais velho quem a trouxera de volta.

Ir a um show de modelos, embebedar-se e ser resgatada pelo irmão...

Alice soltou um "hum" abafado.

Ela hesitou: "Ontem à noite... eu bebi um pouco demais."

Henrique assentiu: "Então você se deu conta."

Alice fez uma expressão complexa: "Eu disse ou fiz algo... inapropriado?"

"Até que não." Henrique fechou o relatório. "Você apenas disse que nunca mais veria um show de modelos."

Alice soltou um pequeno "ah", e sua boca foi mais rápida que o raciocínio: "Isso foi conversa de bêbada."

Henrique ergueu o olhar.

Alice calou-se e deu um sorriso amarelo.

Henrique baixou os olhos: "Beber naquele estado... você realmente não tem medo de que alguém se aproveite de você."

"Mas a Roberta estava lá, quem teria coragem de arrumar confusão no evento dela?" Alice aproximou-se, parando atrás da poltrona de Henrique e apoiando-se no encosto para tentar agradá-lo. "E além do mais, você também estava lá, não estava?"

Os cabelos cacheados de Alice caíram perto do campo de visão do homem.

Trouxeram consigo uma brisa que causava uma leve coceira.

Henrique permaneceu recostado na poltrona, seus dedos firmes virando uma página do relatório.

Alice aproveitou para sentar-se no sofá ao lado: "Além disso, esta é uma ilha particular."

Pessoas más não entrariam tão facilmente.

Ela pegou outras revistas que estavam ao lado de Henrique e começou a folheá-las.

Cruzou as pernas de forma casual, apoiando-as no pufe ao lado do sofá.

O olhar de Henrique permanecia oculto sob as lentes dos óculos, sem demonstrar emoção.

Mas ele pensava:

Alice continua desobediente.

Continua gostando de diversão.

Fica inconsciente de tanto beber; se fosse maltratada, nem saberia.

Deveria deixá-la sentir o que acontece quando se perde o controle pela bebida.

Não deixá-la totalmente inconsciente, mas ciente do que ocorre.

Sentir que não consegue se controlar, sendo controlada por outra pessoa.

Não importa o quanto chore ou reclame, não haveria espaço para resistência.

Assim, ela nunca mais ousaria beber com homens lá fora.

Crianças desobedientes precisam de castigo para se tornarem mais dóceis.

O olhar de Henrique tornou-se sombrio enquanto ele virava mais uma página.

Infelizmente, ele era apenas o irmão.

Como irmão, ele não podia fazer nada; não tinha sequer o direito de impedi-la de se divertir com outros homens.

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Alice folheou rapidamente a revista de viagens, deixou-a de lado e notou o anel no dedo mínimo de Henrique.

Curiosa, ela se aproximou e segurou diretamente o pulso dele.

Henrique hesitou por um segundo e olhou para ela.

O pulso de Henrique tinha linhas musculares e tendões bem definidos; a mão de Alice não conseguia envolvê-lo totalmente. Era pesado e firme, e ela sentiu, por um instante, a defensiva dele.

Ela sorriu para ele, segurando seu antebraço e apontando para o anel: "Este anel é tão especial, posso ver?"

Os pensamentos profundos de Henrique voltaram-se para ela.

Talvez percebendo que sua guarda em relação ao anel fora óbvia demais, ele abriu a mão, permitindo que Alice o retirasse.

Alice ficou girando o anel entre os dedos e perguntou descontraidamente: "De onde veio este anel?"

Henrique explicou: "É apenas um anel comum."

"O que tem de comum nisso?" Alice encostou-se ao lado dele. "Tem os Cinco Preceitos e o Mantra da Purificação gravados. Você o buscou em um templo?"

O acabamento parecia antigo; poderia ser considerado uma pequena antiguidade. Provavelmente tinha anos de consagração em algum templo.

Henrique lembrou-se de que Alice trabalhava agora com restauração de artefatos no museu.

Identificar padrões de diferentes períodos históricos, nacionais ou estrangeiros, era parte de sua formação básica.

"Estes são preceitos de contenção budista. Usados por quem cometeu grandes erros." Alice olhou curiosa para Henrique: "Irmão, que grande erro você cometeu?"

Lá fora, a tempestade continuava.

Mas o mar permanecia calmo.

Henrique demorou a falar.

Ele não pretendia responder àquela pergunta e fez menção de pegar o anel de volta.

Assim que Henrique se inclinou, Alice esquivou-se, brincando com o anel e experimentando-o em seu próprio dedo mínimo: "Por que não me responde?"

O anel ficou largo no dedo dela, sem firmeza.

Alice o tirou e, em seguida, colocou aquele anel — que escondia todos os pensamentos caóticos e impuros dele — no dedo anelar, onde se usa uma aliança de casamento.

Serviu perfeitamente.

Um estrondo de trovão ecoou!

Um relâmpago cortou a superfície da água, levantando ondas pesadas.

As ondas batiam contra o terraço.

As pupilas escuras de Henrique, profundas como um abismo, estremeceram, refletindo a tempestade incessante lá fora.

Alice assustou-se com a fúria repentina do mar.

As ondas batiam contra a parede de vidro, como se quisessem alcançá-la.

Ela via o mar rugir em sua direção, como se quisesse arrastá-la para as profundezas para possuí-la e dominá-la.

Alice, hesitante, puxou a manta para perto, tentando se proteger daquela chuva e vento que pareciam tão invasivos.

"Por que essa tempestade está durando tanto hoje?"

Eles ficaram sentados por mais um tempo até que Henrique, fingindo calma, pediu o anel de volta e saiu da sala.

Ele precisava evitar que suas anomalias ficassem evidentes.

O templo na montanha, no Rio, fora construído com doações da família Cavalcanti.

O memorial da família ficava em uma área reservada do templo.

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Cinco anos atrás, quando Alice pediu para mudar de nome e sair do registro familiar, Henrique passou meses naquele memorial. Ao sair, trazia aquele anel.

Era sua forma de controlar os desejos que não podiam ver a luz do dia.

Mas o anel apenas o lembrava constantemente, em meio à dor:

Ele nutria sentimentos impróprios pela irmã que ele mesmo ajudara a criar. Seus pecados eram profundos.

Três dias depois, Alice retornou ao país após receber um aviso sobre a reavaliação de documentos no museu.

Ela pediu à sua secretária particular, Cherry, que organizasse os materiais entregues na entrevista e os enviasse novamente para auditoria.

Alice ainda estava no avião quando Cherry mandou mensagem: [Entregue, fique tranquila.]

[Em dois dias, talvez nos chamem para conversar.]

Alice olhou para a mensagem e sorriu sem jeito: [Eu sei.]

Não era a primeira vez que passava por isso.

[Recentemente houve denúncias anônimas dizendo que a contratação pelo museu foi irregular. Vão iniciar um processo de investigação.]

[Mas não se preocupe, fomos contratadas pelo processo legal.]

Alice apoiou o queixo na mão e digitou: [Não estou preocupada.]

Após responder, ela ficou distraída em seu assento.

Ela conhecia bem esse processo. Anos atrás, talvez ficasse ansiosa, esperando notícias no celular.

Ficaria imaginando se os denunciantes eram rivais comerciais da família Cavalcanti.

Mas agora, isso não lhe parecia grande coisa.

E, pela experiência anterior, os denunciantes reais nem tinham ligação com a família.

Eram pessoas que invadiam suas redes sociais e diziam abertamente para todos denunciarem em sites oficiais, questionando se ela conseguira o cargo por meios ilícitos.

Até seus superiores eram investigados por possíveis transações ilegais.

Eram apenas internautas "entusiasmados" que amavam ver pessoas privilegiadas caindo no abismo.

Quanto pior a queda, melhor.

Alice estava acostumada, mas ainda assim ficava triste.

Ela mandou mensagem para Cherry: [Venha me buscar no aeroporto. Vamos para um spa.]

Cherry percebeu na hora que a princesinha não estava de bom humor.

Arrumou tudo rapidamente para buscá-la.

Ao entardecer, o Gulfstream de Henrique pousou no aeroporto.

Ao desembarcar, Alice viu Cherry segurando um grande buquê de tulipas, sorrindo.

Alice fez um biquinho, mas seu humor melhorou ao ver as flores.

Pegou o buquê com delicadeza: "Obrigada, querida. Vamos?"

"Vamos." Cherry pegou a bolsa de Alice e a seguiu.

Henrique observou as duas partirem antes de entrar no carro que o levaria à empresa.

O assistente perguntou: "O senhor não vai para casa descansar primeiro?"

Henrique ajustava as abotoaduras: "Aquelas mídias que publicaram as reportagens irregulares têm ligações profundas com o Grupo Veras, você verificou?"

O assistente confirmou: "As informações já foram recebidas por todos."

Ele lembrava desse tal de Veras, um novato no mundo dos negócios.

Focado no setor de tecnologia da informação, crescera rapidamente nos últimos cinco anos.

Logo entrou para os círculos de elite.

Com a competição acirrada na tecnologia, ele agora mirava o setor de energia renovável, onde a família Cavalcanti detinha grande fatia do mercado.

Além disso, a ambição dele era grande; no início da carreira, as notícias o chamavam de "o próximo Augusto Cavalcanti".

O nome do patriarca.

Somado ao fato de que o vazamento do teste de DNA estava diretamente ligado a eles.

A família Cavalcanti teve queda nas ações e no mercado por causa disso, e muitos parceiros, após rescindirem contratos, foram procurar o Grupo Veras.

Estava claro quem era o beneficiário direto.

Mas, na verdade, isso era apenas um arranhão para os Cavalcanti. O Grupo Veras achava que estava prestes a derrubá-los.

O assistente perguntou: "Agimos agora?"

Henrique não respondeu diretamente: "Marque uma reunião para hoje."

"Sim, senhor."

"O presidente do Grupo Veras está prestes a completar cinquenta anos. Vou enviar um presente de aniversário", disse Henrique com um tom comum, mas completou: "Espero que ele ainda tenha a chance de completar sessenta."

Alice, ainda de mau humor, passou alguns dias em um hotel fazenda, depois foi fazer compras para se distrair. Encomendou uma bolsa Kellydoll da Hermès para seu aniversário daqui a três meses.

Depois, marcou um encontro em uma cafeteria com o gerente da Berko francesa para escolher o modelo de seu bolo de aniversário.

A cafeteria ficava dentro de uma loja de luxo, sendo um local privado.

Tinha dois andares, e cada saída levava a uma loja diferente.

Não havia entrada direta para a rua.

Por isso, o acesso era restrito a membros.

Alice estava no segundo andar analisando o catálogo de novidades que o gerente lhe entregara.

De repente, ouviu um nome familiar: "Lívia, por que você não comprou nada? Sua família ainda não liberou o cartão para você?"

Alice olhou para o lado.

Viu algumas jovens socialites entrando pela Marc Jacobs no primeiro andar, caminhando à frente com seus saltos altos.

Lívia parecia deslocada entre elas, vestindo roupas casuais e despojadas: uma regata branca por baixo de uma camisa preta larga, com as mangas dobradas até o cotovelo, parecendo pronta para uma briga a qualquer momento.

Provavelmente todos notaram a diferença, inclusive elas mesmas.

Lívia foi ao banheiro primeiro, enquanto as outras se sentavam.

Murmuravam em tom baixo: "Como ela tem coragem de sair vestida assim?"

"A família deles é a piada do momento. Saiu a Alice, aquela ladra, e trouxeram uma caipira de volta."

"Ouvi dizer que ela trabalhava em uma barraca de lanches antes."

Pouco depois, Lívia voltou, e elas continuaram rindo e falando sem qualquer pudor.

Talvez achassem que Lívia não entenderia certas referências.

Uma delas, que fingia ser atenciosa mas era arrogante, gesticulou: "Lívia, sente aqui, guardamos este lugar para você."

Todas riram: "A Lívia é a celebridade do momento."

Alice sentiu um incômodo e jogou o catálogo sobre a mesa com força.

O gerente da Berko assustou-se.

O brilho das luzes refletia nos olhos de Alice, que mostravam uma dureza incomum.

Alice cruzou os braços e encostou-se na cadeira, observando o movimento lá embaixo através do vidro.

Aquelas pessoas tratavam Lívia como uma palhaça para diversão delas.

Na verdade, não era apenas de Lívia que riam, mas da família Cavalcanti e dela própria.

Lívia não recusou; puxou a cadeira e sentou-se, apoiando as mãos na mesa.

Alguém perguntou: "Ei, você ainda trabalha na lanchonete?"

Lívia respondeu de forma seca: "Nunca trabalhei em lanchonete."

Ela só tinha se envolvido em brigas por lá.

"Não precisa ter vergonha, não é humilhante. Meus pais vivem querendo que eu trabalhe no grupo deles, me oferecem só um milhão por mês. Eu não quero ir e eles ainda brigam comigo."

"Um milhão não é pouco."

Outra concordou: "Pois é, ouvi dizer que em lanchonete se ganha uns três mil reais. Você reclamar de pouco na frente da Lívia é maldade."

A jovem Veras fez um biquinho: "É pouco sim, não dá nem para comprar este meu colar."

Alice estreitou os olhos; aquele tom de voz era familiar.

Ela lembrou que aquelas eram as mesmas pessoas que a convidaram antes e depois falaram mal dela no grupo de amigas.

A líder parecia ser da família Veras.

A família deles era de um grupo que crescera apenas nos últimos anos; por isso Alice não as conhecia bem de antes.

Pareciam querer forçar uma entrada no topo do círculo social, por isso estavam em todos os lugares.

Lívia observava o jogo ensaiado delas e perguntou: "Quanto custa esse colar?"

"Você não sabe? O colar da Verena custou uns três milhões."

Verena mexeu no colar: "Foi comprado por cinco milhões na época, presente de dezoito anos da minha mãe."

Lívia assentiu; o brinco preto em sua orelha brilhou levemente.

Verena notou o brinco de Lívia e analisou: "Esse seu brinco... parece falso, não?"

"A cor é ruim, tem impurezas. Parece plástico."

Lívia não escondeu: "É plástico mesmo."

As outras soltaram risadinhas desdenhosas.

Alice respirou fundo, chamou o garçom da cafeteria e sussurrou algumas palavras.

O garçom olhou para a mesa lá embaixo e retirou-se com reverência.

"Ah, não tem problema. Hoje você pode pedir o que quiser, eu pago", disse Verena pausadamente. "Quando a família Cavalcanti te der as ações da Alice e liberar os cartões, você não vai precisar mais usar essas coisas falsas."

Alguém riu: "Essas coisas falsas você pode guardar para dar para a Alice, haha. Talvez ela precise no futuro."

"E não esqueça de indicar o emprego na lanchonete para ela também."

Elas caíram na risada.

A mão de Lívia continuava sobre a mesa, com os dedos batendo ritmicamente.

A mesa era pequena e fina.

De repente, ouviu-se um estrondo enorme dentro da cafeteria!

O garçom enviado por Alice parou no meio do caminho, atônito!

Viu que Lívia tinha virado a mesa; o vaso de flores caiu e se espatifou no chão.

Gritos ecoaram.

"Meu vestido!"

"Lívia, o que você está fazendo?!"

Alice, que acabara de descer as escadas, também parou surpresa.

Lívia continuava sentada, impassível, observando o chilique delas: "Vocês falam demais."

Ela estava tão calma que parecia que não fora ela quem virara a mesa, ou talvez estivesse acostumada a fazer isso.

Verena, com o vestido molhado pela água do vaso, levantou-se e encarou Lívia: "Sua caipira! Você!"

"Eu tive pena porque ninguém queria sair com você, e é assim que você retribui?!"

Algumas, temendo o status atual de Lívia, tentaram acalmar Verena.

Verena as empurrou: "Esperem! Vou contar para o meu pai, para eles verem que tipo de pessoa vocês trouxeram de volta."

"Para falar a verdade, a Alice é muito melhor que você. Não admira que todos gostem dela. Você é grossa, cafona e não tem classe!"

"Vamos embora."

Ao se virar, Verena deparou-se com Alice encostada no balcão, terminando seu café: "Que coincidência."

Todas ficaram paralisadas.

Não sabiam há quanto tempo Alice estava ali; apenas tentaram sair de cabeça erguida.

Ao chegarem à porta, foram barradas pelo garçom: "Senhoritas, o café de vocês está pronto."

"Não queremos mais."

"Então, por favor, paguem a conta."

Verena pegou seu cartão e o jogou sobre o balcão.

"Sinto muito, senhorita. A senhora foi incluída na lista de restrições deste estabelecimento. Cartões em seu nome não são aceitos."

"Lista de restrições? Impossível!", Verena ficou vermelha de raiva. "Chamem o proprietário!"

Os garçons se entreolharam e depois olharam todos para Alice.

As jovens empalideceram; uma percepção terrível começou a surgir.

Quase ao mesmo tempo, lembraram que o shopping inteiro era propriedade do Grupo Cavalcanti.

E esta cafeteria particular...

Alice sorriu para elas: "Me chamaram?"

Houve um silêncio mortal.

Os lábios de Verena tremeram: "Você... por que você bloqueou meu cartão?"

"Porque você me ofendeu", Alice brincou com seus cachos. "Você me chamou de ladra aqui dentro."

"Ofensas públicas constituem ato ilícito e invasão de direitos", completou Cherry. "Com a quebra da confiança comercial, o proprietário pode restringir o consumo para manter a ordem do estabelecimento."

Alice avisou gentilmente: "Mas vocês podem escolher pagar em dinheiro vivo. A loja não pode recusar dinheiro em espécie."

Verena estava prestes a explodir: "Quem é que anda com dinheiro vivo hoje em dia?!"

As compras delas passavam de milhões; carregar dinheiro vivo seria loucura.

O sorriso de Alice se alargou: "Se não têm dinheiro vivo, podem pedir para alguém pagar para vocês."

"Tipo eu", Alice olhou para Lívia, "ou ela."

Lívia ergueu a sobrancelha.

"Mas parece que o meu gênio é um pouco melhor que o dela", Alice sorriu ainda mais. "Digam algo agradável. Me peçam por favor."

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