CAPÍTULO 5: Você pode ser meu irmão para sempre?
Ele a observou daquela forma por alguns instantes.
Passou-se um longo tempo em silêncio antes que ele dissesse, com uma polidez cavalheiresca, porém sombria: "Bom dia."
"Bom... bom dia, irmão." Alice recuou alguns passos, apoiando-se na parede.
E —
bang
— bateu a porta com força!
Cinco minutos depois, ao abrir a porta novamente, Alice havia trocado de roupa por um vestido de praia comportado com estampa de pintura a óleo. Fingindo naturalidade, disse: "Irmão mais velho, você chegou."
Mesmo com a mudança, certas imagens permaneciam gravadas na mente dele. Henrique disse casualmente: "Arthur teve alguns assuntos urgentes para resolver e precisou voltar. Ele me pediu para vir ficar com você."
Alice soltou um "ah" discreto. "Tão de repente."
"O que vocês planejaram para hoje?" Henrique pegou a manta que estava caída no chão e a colocou no cesto de roupa suja.
Alice, sentindo-se culpada, respondeu de forma vaga: "Ir à praia."
Henrique mal havia soltado a manta quando notou, em uma prateleira de serviços do hotel, um par de bermudas de banho que vinha com a acomodação.
Uma bermuda preta com estampas em azul acinzentado.
Henrique a pegou com um olhar indecifrável: "Com oito modelos masculinos?"
O sorriso de Alice congelou. Ela gaguejou e hesitou por um momento antes de começar a se justificar: "Não, não é isso."
"É que eu vou sair com a Roberta."
Roberta.
Sempre ela.
Desde pequenas, ela vivia instigando Alice a fazer coisas fora do comum.
Viviam se chamando de irmãs para lá e para cá; quem não soubesse, acharia que Alice era realmente irmã dela.
Henrique franziu o cenho.
Sua expressão não relaxou nem um pouco ao ouvir o nome de Roberta.
Alice umedeceu os lábios secos para quebrar aquele silêncio bizarro: "Você já comeu?"
"Poderíamos ir almoçar primeiro."
Henrique concordou. Ao se virar, deparou-se novamente com as costas totalmente nuas de Alice naquele vestido de praia.
Havia apenas duas alças fininhas segurando a peça.
Alice caminhava na frente, toda animada.
Ela estava confiante de que, com aquela roupa — a mais "comportada" que tinha —, o irmão mais velho não teria do que reclamar.
De fato, Henrique permaneceu em silêncio por um bom tempo. "Esse vestido..."
Alice, sentindo-se validada, perguntou: "O que achou? É bonito?"
Henrique engoliu em seco a frase "falta pano" e, seguindo o jogo dela, respondeu: "Muito bonito."
Alice ficou radiante com o elogio.
Até que ele acrescentou: "Aquele de antes também era muito bonito."
Henrique continuou: "Para sair com amigos, é preciso se vestir bem."
"Mas se for para admirar homens, e eles ainda exigirem que vocês se vistam tão bem assim, o dinheiro deles está vindo fácil demais."
Alice assentiu: "É verdade."
"Não!", ela negou rapidamente em seguida. "Eu não vou admirar... nada disso."
A voz de Henrique continuou calma como águas profundas: "Não tenha medo. Se quiser ir, vá."
"É uma oportunidade rara de viagem. Se você faz questão de ver esse tipo de gente vulgar, eu por acaso bateria em você?"
Alice piscou os olhos: "Sério?"
"Sério." Henrique nem olhou para ela.
Antigamente, como professor convidado, ele dizia aos alunos de pós-graduação da USP: "Não tenham medo. Se quiserem ir embora, vão."
"Se você faz questão de sair, eu por acaso bateria em você?"
Ninguém jamais ousava sair.
Henrique acreditava ter sido suficientemente irônico.
E a intimidação, eficaz.
Contudo, ao entardecer, o bar na beira da praia estava mergulhado em luzes coloridas e agitação.
Alice estava sentada na primeira fila, apreciando o show.
Luzes púrpuras e vermelhas giravam em círculos, criando uma atmosfera sensual ao ritmo das batidas pulsantes.
Do outro lado, Roberta tinha uma expressão estranha: "Você disse que seu irmão está aqui e ele deixou você vir?"
"Sim." Alice estava muito feliz. "Ele disse que, se eu quisesse, poderia vir. Que é uma viagem rara."
Gritos de euforia abafaram as palavras de Alice.
No segundo andar, em uma área onde a luz não alcançava, Henrique apertava o copo em sua mão, com uma veia saltando na têmpora.
No palco, um grupo de modelos musculosos ocidentais, usando correntes de diversos tipos, exibia deliberadamente suas linhas corporais. Havia de tudo: poses de joelhos, amarras e acessórios.
Alguns até usavam renda na cintura ou nos olhos... uma total falta de compostura.
Gritos e comemorações ecoavam por toda parte.
Roberta, curiosa, perguntou: "As palavras dele foram exatamente essas?"
Alice repassou a fala de Henrique mentalmente: "Foi o que ele disse."
Roberta não conseguia imaginar tal cena e continuava cética.
Em sua memória, aquele Henrique que cuidava da irmã como se fosse uma filha já lhe dera avisos mais de uma vez.
O primeiro fora quando Alice tinha seis anos e estava trocando os dentes.
Começou quando ela deu chocolates escondidos para Alice.
Depois, quando Alice tinha doze anos e ela a incentivou a cabular aula.
Aos dezoito, quando a levou a uma boate, e assim por diante.
Henrique tinha muitas ressalvas contra ela.
Mas Roberta não se importava.
Ela não estava corrompendo ninguém.
Além disso, ela não era má influência.
Roberta encostou-se à mesa, girando sua taça.
Os olhos de Alice brilhavam, demonstrando a empolgação de quem vê algo novo, mas ao mesmo tempo carregavam uma timidez engraçada.
Roberta tomou um gole de licor e fez sinal para que os modelos descessem do palco para interagir.
Alice ficou ainda mais envergonhada. Toda aquela coragem de antes desapareceu.
Com tantos homens musculosos ao redor, permitindo que ela brincasse, ela simplesmente não conseguia esticar a mão, com o rosto totalmente vermelho.
Roberta aceitou a atenção dos homens com naturalidade e os avisou: "Ela ainda é uma iniciante. Deixem que ela tome a iniciativa, não a assustem."
As pessoas que Roberta contratara eram muito profissionais.
Sentaram-se ao redor delas, servindo frutas e bebidas, sabendo exatamente como tratar cada tipo de cliente.
Ao lado de Alice, sentou-se um rapaz mais jovem, usando tiara de orelhas de animal com guizos.
Começaram conversando trivialidades sobre a ilha.
Logo, Alice relaxou.
Após dois copos de bebida e muita conversa, veio a próxima rodada de apresentações.
Os homens se afastaram, e Alice notou que a garrafa de Roberta estava no fim.
Ela se sentou ao lado da amiga: "Está de mau humor?"
Roberta sorriu: "Aquelas coisas da empresa."
Roberta era filha única e estava na idade de assumir os negócios da família.
Mas havia tios acima dela; em famílias grandes assim, disputas por herança e boicotes contra uma mulher na empresa eram comuns.
E os métodos costumavam ser baixos.
"Eles ainda estão incomodando", Alice, que sabia um pouco da história, tocou o braço de Roberta. "Meu irmão é mestre nisso, ele passou por tudo isso."
"Quer que eu te leve para falar com ele amanhã?"
Roberta ergueu a sobrancelha: "Ah, não."
"Neste momento, Henrique deve estar querendo me vender para o Alasca para cavar buracos na neve."
"Meu irmão é uma pessoa muito boa."
"Isso é porque ele é seu irmão." Roberta a puxou para perto em meio à música ensurdecedora, ainda curiosa: "Alice, me diga a verdade: como seu irmão deixou você vir ao show de modelos?"
Alice repetiu as palavras de Henrique.
Roberta estreitou os olhos, duvidando seriamente que o tom dele tivesse sido tão leve e compreensivo quanto o de Alice.
Pelo que conhecia, Henrique era imprevisível e profundo.
Às vezes dizia as coisas pela metade, deixando as pessoas inquietas.
Mas Alice não era assim.
Alice era direta.
Roberta sempre achou que a alma de Alice era pura.
Ela, que vivia cercada por problemas mundanos, adorava estar com Alice para fugir do mundo, da ordem e fazer algo fora dos padrões.
Roberta também não entendia o que acontecera nos últimos dias.
Por que a família Cavalcanti estava passando por esse escândalo?
Mas, pelo seu conhecimento de décadas atrás, a família Cavalcanti sempre fora um tanto caótica.
De certa forma, esse tipo de confusão não era surpresa para quem conhecia o histórico de vinte anos atrás.
Afinal, os anos de idas e vindas entre Augusto e Helena foram o maior folhetim da alta sociedade carioca.
Casamentos, divórcios e novos casamentos.
E a princesinha Alice era o final feliz daquela história dramática.
Após o nascimento dela, o casal vivia em lua de mel e o grupo empresarial prosperava.
Ninguém imaginaria que, vinte anos depois, o mundo viraria de cabeça para baixo por causa da origem dela.
Roberta notou que Alice estava bebendo sem restrições hoje e sentiu que ela não estava bem.
Mas não tocou em assuntos que a deixariam ainda mais triste.
Alice apenas queria testar se o álcool realmente afogava as mágoas.
Em um momento mais sério, Roberta sentiu que precisava avisar: "Sim, seu irmão é alguém que já lidou com disputas de herança."
"Mas aquelas pessoas estão apenas esperando seu pai ou seu irmão cometerem um erro."
"Se usarem esse impacto negativo para pressioná-los no grupo empresarial..."
"Se tiver qualquer dificuldade, lembre-se de me procurar."
Alice jamais a procuraria para isso.
Roberta já tinha seus próprios problemas; Alice não queria sobrecarregá-la.
"Eles não seriam tão cruéis", disse Alice, antes de murmurar para si mesma: "Mas quem sabe."
Alice continuou bebendo até perceber que a bebida de Roberta era forte.
Quando se deu conta, os modelos musculosos à sua frente haviam dobrado de número devido à visão turva.
Tudo bem, ela ainda conseguia controlar.
Alice fingiu que não estava bêbada, apoiando o queixo na mão.
Observou o rapaz das orelhinhas de guizo se aproximar e oferecer a gravata dele para ela.
Ninguém percebia que aquela bela jovem estava embriagada.
Apenas o rubor no canto de seus olhos estava mais intenso, e seu olhar, mais nublado.
Como uma flor prestes a desabrochar.
Alice não estava mais tão tímida.
Sua coragem cresceu; começou brincando com a gravata dele, enrolando-a nos dedos de forma distraída.
Um movimento lento e provocante.
Até que, em um dado momento, ela deu um puxão repentino.
O rapaz tropeçou e, no instante em que foi puxado para perto dela, foi subitamente empurrado por uma mão grande!
Alice foi imediatamente envolvida por uma silhueta alta e imponente.
As imagens diante dela ficaram confusas por um instante, e as luzes ao redor começaram a girar.
Havia uma voz familiar dizendo algo, mas Alice não conseguia ouvir.
Quando ela recobrou um pouco os sentidos, a música ensurdecedora havia sumido.
Parecia estar longe do salão principal do bar.
Mas em sua mão ainda havia uma gravata.
Alice instintivamente segurou a gravata e puxou a pessoa para perto de si.
Em seguida, ela foi envolvida por um aroma frio de cedro.
As sombras diante dela se tornaram mais densas.
Alice ergueu os olhos nublados e encontrou um olhar profundo.
Mas a pessoa à sua frente não era tão obediente quanto o rapaz de antes.
Após um breve contato visual, a pessoa tentou desviar o olhar e puxar a gravata da mão dela.
O gênio forte de Alice aflorou. Ela apertou os dedos e puxou com força.
Henrique inclinou-se para frente, sendo trazido para uma distância mínima.
Tão perto que o aroma de rosas e cacau que emanava dela era inebriante.
A gravata em seu pescoço, presa pelos dedos dela, trazia uma força de tração que parecia o arranhar de um gato.
Henrique apoiou a mão no sofá de couro atrás de Alice, observando-a enquanto ela o analisava.
O rubor espalhado pelo rosto dela a fazia parecer uma rosa cor-de-rosa delicada.
Após analisá-lo por um tempo, ela disse confusa: "Por que você se parece tanto com o meu irmão?"
Alice murmurou baixinho para si mesma: "A Roberta é muito ousada... conseguiu achar um modelo idêntico ao meu irmão."
Era a primeira vez que Henrique era confundido com um modelo.
Ele baixou o olhar, observando os lábios levemente entreabertos dela, o que fez com que o canto de seus próprios olhos ganhasse um tom avermelhado.
Até que ela, continuando a análise, falou novamente: "Eles dançam quase sem camisa, por que você está usando tanta roupa?"
Alice começou a dar ordens: "Tira isso."
Henrique respirou fundo e respondeu com a voz grave: "Está bem."
Seus dedos longos foram ao colarinho, desabotoou o paletó, revelando os ombros largos, e realmente tirou a peça.
Em seguida, ele a colocou sobre as costas nuas de Alice.
Finalmente, ele a cobriu.
Alice desviou o olhar dos ombros e braços imponentes que a cercavam. Sendo servida com aquela peça de roupa, sentiu-se totalmente protegida.
Seus dedos, ociosos, deslizaram do colarinho dele até o abdômen, fazendo um círculo com a ponta do dedo, enquanto comentava: "Está um pouco frio mesmo. Você sabe servir bem as pessoas, faz isso há quanto tempo?"
Alice não esperou pela resposta. De repente, seus dedos engancharam na tira de couro preta que Henrique usava para manter a camisa esticada sob a calça.
"Por que você também gosta de usar essas coisas? Igual ao meu irmão."
Ela sabia que Henrique usava aquilo para manter a formalidade impecável em qualquer situação.
Mas ver aquilo preso aos músculos do peito e do abdômen parecia realmente... muito provocante.
Henrique sentiu os músculos retesarem sob os dedos inquietos dela em seu abdômen. Ele segurou a mão dela para impedi-la: "Ainda está com frio?"
O pulso de Alice formigou sob a pele áspera dos dedos dele. Ela fungou: "Um pouquinho."
"Então vamos voltar para dormir."
Alice ficou confusa por um instante. Depois, franziu a testa e o empurrou, insatisfeita: "O quê? Por que você fala em dormir depois de apenas duas frases?"
"Quem disse que eu quero dormir com você? Seu cafajeste, seu pervertido."
Henrique deixou que ela o xingasse; afinal, ela não estava de todo errada.
"Não brinco mais com você. Vou procurar o meu irmão."
Os irmãos eram melhores, eles não tinham esse tipo de pensamento torto e impróprio sobre ela.
Alice levantou-se e começou a caminhar para fora.
Henrique, após ser empurrado, observou a silhueta frágil dela se afastando.
O vento noturno da ilha soprava sobre as ondas, atravessava os coqueirais e passava por ela.
Alice caminhou sozinha e em silêncio por um tempo.
Depois de um tempo, ela parou com o pensamento confuso, com o nariz avermelhado.
Ela percebeu que não sabia para onde ir.
E percebeu que o álcool não afogava mágoas.
O álcool apenas a lembrava constantemente do motivo de seu sofrimento.
Alice soltou um longo suspiro, sentindo a cabeça girar.
Henrique a amparou, inclinou-se para pegá-la no colo e a levou de volta para a villa.
Alice fechou os olhos, encolhida nos braços do homem. Muito tempo depois, ela murmurou: "Henrique..."
"Você pode ser meu irmão para sempre?"
Os passos de Henrique hesitaram por um breve segundo.
Ele observou aquela pessoa que não se sabia se estava lúcida ou embriagada.
Sua voz, extremamente baixa, perdeu-se no vento do mar.
"Não."