Letícia tentou formular uma pergunta que os animais entendessem: "Nos últimos dois dias, vocês viram algum humano estranho, vestindo a mesma roupa de quem dá comida, mas que não conhecem?"
Mesmo se o ladrão entrasse, usaria o uniforme.
Os papagaios em Letícia ficaram em silêncio.
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Nenhum humano desconhecido.
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É, é. Quem dá comida, o passarinho conhece.
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Vendo Letícia falar de coisa séria, Zhao Ke se aproximou, nervoso.
"Senhorita Letícia, os papagaios viram o ladrão? O filhote está aqui?" Zhao Ke fez várias perguntas.
Ele pensou que Letícia viria procurar, não perguntar aos animais.
Justo quando Letícia achou que o ladrão não tinha vindo, a calopsita preguiçosa falou.
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Hmm, o passarinho viu.
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Letícia olhou para a calopsita que roubava penas à noite. "Quando viu?"
Piu!
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Bem tarde. Os tratadores e os pássaros dormiam. O passarinho foi roubar penas, ouviu passos, viu um humano entrar.
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Não deu comida, quase estragou o ninho do passarinho. Humano mau.
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"A pessoa trouxe algo? Saiu?" Letícia perguntou rápido.
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Trouxe. Uma mochila grande. Devia ter comida, mas não deu.
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A calopsita revirou os olhos, virando a cabeça.
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Parece que saiu, parece que não. O passarinho não sabe.
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"A roupa era igual à dos tratadores?" Letícia apontou para as roupas de Zhao Ke e da Srta. Li.
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Igual.
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O ladrão, de uniforme, entrou. Os animais pensaram que era para alimentar.
Ele podia se esconder, sair com os funcionários. Os papagaios não perceberiam.
"Irmã Leti, e então?" Fábio olhou animado.
"O ladrão veio, com uma mochila grande. Se trouxe o filhote, não sabemos."
Os papagaios não viram o filhote.
Zhao Ke ficou desapontado.
Mas era uma pista.
A área das aves era da Srta. Li, ele não podia revirar.
Zhao Ke ia pedir para procurarem, quando ouviu barulho na área dos grous-siberianos.
Grous-siberianos são espécie ameaçada, menos de quatro mil no mundo. O zoológico conseguiu um, tratado como tesouro. Se algo acontecesse, ninguém se responsabilizaria.
Além do emprego, a Srta. Li cuidava do grou como filho. Correu, pegando o rádio. "O que há com o grou?"
Letícia tirou os pássaros de si e foi atrás.
Antes de chegar, ouviu os pensamentos do grou.
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Que diabos é isso? Ousa roubar a comida do grou?
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Tão pequeno, dá para engolir de uma vez. Será que é comida nova dos humanos?
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Aaah, de onde saiu esse humano burro? Quase assustou o grou até a morte!
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Um mau pressentimento surgiu. Chegando, viram o grou com o filhote de flamingo no bico, correndo.
Atrás, um homem de uniforme o perseguia. Ao ouvir o barulho, parou.
Comparado com outros grous, o siberiano era lindo: todo branco, pernas longas e claras, rosto vermelho. No bico, o pescoço do flamingo, as patas correndo.
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Esse humano é maluco, fica perseguindo o grou.
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Não tem medo de pegar o grou e ir para a cadeia?
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Deviam ter ameaçado o grou, senão como saberia de cadeia?
Zhao Ke, vendo o ladrão, explodiu: "Xiao Sun, era você mesmo! O zoológico fez algo errado, para você roubar?"
"Não fui eu! O filhote fugiu. Procurei, achei aqui. Fiquei preocupado, com medo de punição, por isso pedi licença para procurar." Xiao Sun explicou, nervoso.
Se não tivesse visto as câmeras, Zhao Ke acreditaria.
Antes, tratadores deixaram filhotes fugirem. Assustados, os filhotes se escondiam, difíceis de achar. Uma vez, reviraram o zoológico.
Zhao Ke não quis discutir. "Não precisa explicar para mim, explique para a polícia."
Antes de vir, Zhao Ke chamou a polícia. Ao acharem Xiao Sun, a polícia chegou, levando-o e as câmeras.
Resolvido Xiao Sun, Zhao Ke percebeu um problema maior.
O filhote ainda estava no bico do grou.
Grous eram mais protegidos que flamingos. Se algo acontecesse, ninguém trabalharia no dia seguinte.
Sem saber por quê, Zhao Ke pediu ajuda a Letícia. "Senhorita Letícia, o que fazer? O grou vai comer o filhote?"
Se precisasse, tiraria o filhote à força.
Mas se machucasse o grou, iria para a cadeia.
Zhao Ke ficou parado, indeciso.
"Eles não estão perseguindo você, querem o filhote de flamingo. É um bebê da área ao lado." Letícia agachou-se à beira do pântano, olhando o grou.
O zoológico tentava simular o habitat.
Para o grou, fizeram um pântano.
Como era espécie ameaçada, havia placas de não alimentar.
O grou olhou estranho para Letícia.
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Humana entende o grou?
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Errado, o grou não falou.
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Essa humana lê a mente do grou. Assustador.
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O grou ficou chocado, mas não soltou o flamingo.
Zhao Ke, atrás de Letícia, suando: "Senhorita Letícia, o que fazer? Se algo acontecer ao filhote, como vivo? E o Doudou vai ficar deprimido."
Letícia olhou para Zhao Ke, fazendo sinal de silêncio. "Cale-se."
Zhao Ke calou-se, olhando para o filhote, os dedos apertados de nervoso.